Medidas de SST e Riscos Profissionais: Uma relação difícil

tensaoO estudo realizado pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, intitulado ESENER -2, traz conclusões que colocam uma certa pressão nas tradicionais actividades de Segurança e Saúde no Trabalho.

De acordo com o estudo, os factores de risco mais presentes nas empresas inquiridas foram:

- Interacção com clientes, alunos e pacientes difíceis (58% das empresas da UE-28);

- Posições cansativas ou dolorosas (56%);

- Movimentos repetitivos da mão ou do braço (52%)

Como refere o próprio ESENER-2, o sector dos serviços tem vindo a crescer, especialmente na EU. Este facto, adicionado ao tipo de riscos novos e emergentes que comporta, levanta por si só uma questão:

ESTARÃO OS SERVIÇOS DE SST DAS EMPRESAS PREPARADOS PARA RESPONDER AOS DESAFIOS COLOCADOS POR ESTE TIPO DE AMEAÇAS?

Medidas de SST e Riscos Profissionais: Uma relação difícil

O estudo realizado pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, intitulado ESENER -2, no âmbito do qual foram inquiridos Responsáveis pela SST e Gestores de RH de cerca de 1000 empresas nacionais (mais de 28000 no total), traz conclusões que colocam uma certa pressão nas tradicionais actividades de Segurança e Saúde no Trabalho.

De acordo com o estudo, os factores de risco mais presentes nas empresas inquiridas foram:

1. Interacção com clientes, alunos e pacientes difíceis (58% das empresas da UE-28);

2. Posições cansativas ou dolorosas (56%);

3. Movimentos repetitivos da mão ou do braço (52%)

As tipologias de factores de risco mais representativas levantam a seguinte questão: Até que ponto estão preparados os serviços de SST das empresas, para responderem aos desafios colocados?

No caso do factor de risco "Interacção com clientes, alunos e pacientes difíceis (58% das empresas da UE-28)", tudo aponta para que o principal problema de saúde resultante do mesmo seja o Risco Psicossocial.

"Em Portugal continua a não haver uma estratégia empresarial para os riscos psicossociais"

Efectivamente, é o próprio estudo que dá a resposta. O ESENER-2 refere que apenas 16% das empresas do estudo referiram possuir um Plano de acção para os Riscos Psicossociais. Em Portugal apenas 11% das empresas recorre aos serviços de um Psicólogo.

Quanto ao factores de risco "Posições cansativas ou dolorosas (56%) e Movimentos repetitivos da mão ou do braço (52%)", apontando os mesmos para outro dos cancros sócio-laborais que são as doenças profissionais e, fundamentalmente, as doenças relacionadas com o trabalho, quanto a estas situações é de todo conhecida a impotência e incapacidade que, quer na prevenção, quer na reparação, o nosso país tem tido para os combater.

"Continua a não haver qualquer estratégia de fundo para o combate efectivo aos Problemas de Saúde Relacionados com o Trabalho"

Se, em muitos casos doenças como tendinites, lombalgias, hérnias discais e outras Lesões Músculo-esqueléticas nem surgem na Lista oficial de Doenças Profissionais, quando associadas a determinadas actividades (e estas são comuns a um numero crescente de actividades), noutros casos, a única estratégia de resposta possível para um trabalhador ou trabalhadora é o recurso ao regime geral de Segurança Social.

Neste caso, como se sabe também, o principal obstáculo no combate a estes problemas é a necessidades de "reorganizar o trabalho de forma mais humanamente sustentável". Esta "sustentabilidade humana do trabalho" não se compadece com ritmos elevados; horários desconexos e polivalência funcional desregulada.

Ora, estes princípios de organização "flexível" continuam a proliferar a ser apresentados pela elite tecnocrática como as únicas formas de organização viáveis, numa perspectiva economicista, claro está.

Assim sendo, o ESERNER-2 vem, como tinha vindo o ESENER-1, apenas confirmar as suspeitas que todos tínhamos: PORTUGAL CONTINUA A NÃO TER ESTRATÉGIA PARA O COMBATE AOS RISCOS PROFISSIONAIS DE NATUREZA ORGANIZACIONAL.

E mais uma vez, o movimento sindical e os trabalhadores, parecem os únicos preocupados em denunciar esta realidade que afecta centenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras e faz incidir custos sobre a sociedade que deveriam de ser suportados pelos seus causadores: as entidades patronais que insistem em metodologias desumanas de organização do trabalho.

 
 
 
 
 

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